O que é due diligence e como realizar essa análise

E-mails, planilhas, documentos em pastas e uma infinidade de outros canais de informações.
Ao mesmo tempo em que se sabe da importância dos dados para gestão e prosperidade dos negócios, veem-se cada vez mais empresas com muita informação e pouca inteligência gerada por elas.
O principal motivo? Tempo.
Com processos extremamente manuais ainda presentes em larga escala nas grandes corporações, o trabalho de equipes se volta ao operacional quando poderia ser estratégico.
Quando se trata da due diligence, o processo geralmente envolve centenas de documentos para revisar, diversos e-mails trocados entre diferentes partes e perguntas que acabam sem respostas.
Tudo isso em um cenário em que a velocidade é essencial para fechar um negócio com sucesso.
Agora, como solucionar a equação de manter o mapeamento, tão estratégico para o planejamento e manutenção das empresas, enquanto o relógio corre contra o tempo?
Confira agora como simplificar e tornar esse processo mais estratégico!
O que é due diligence?
O due diligence, ou diligência prévia, é uma análise detalhada feita antes de uma transação comercial, como fusões, aquisições ou parcerias estratégicas.
Esse processo levanta informações sobre a empresa ou ativo envolvido na negociação para avaliar fatores de risco, sejam eles financeiros, jurídicos ou operacionais.
Vale destacar que a avaliação pode ser aplicada em diferentes áreas, desde a análise de reputação da marca até uma investigação sobre a saúde financeira do negócio.
Qual a importância do due diligence?

O due diligence é uma etapa fundamental para manter a segurança, a transparência e a conformidade em transações comerciais. O processo permite uma visão ampla da negociação e ajuda a mitigar riscos.
Alguns benefícios desse tipo de análise são:
- Conformidade legal e regulatória, que evita problemas como multas e sanções;
- Identificação de riscos ocultos, como a identificação de passivos não divulgados ou problemas que podem afetar o negócio no futuro;
- Análise precisa do valor, garantindo que os preços reflitam a real situação da empresa e evitando superavaliação ou subavaliação do valor;
- Definição de metas e estratégias mais realistas a partir das informações coletadas pela diligência prévia, garantindo um planejamento estratégico conforme o contexto atual e facilitando a integração pós-transação.
Qual a diferença entre due diligence e auditoria?
Tanto o due diligence quanto a auditoria seguem o objetivo de avaliar informações e reduzir riscos para as empresas, mas os processos são distintos. A principal diferença entre eles é o escopo e a finalidade de cada um.
Em geral, a auditoria verifica a conformidade dentro de um período específico, enquanto a diligência prévia busca antecipar riscos e oportunidades em um cenário mais abrangente.
O foco da auditoria é avaliar registros financeiros e operacionais de uma empresa para apurar a conformidade com normas contábeis e regulatórias vigentes.
Essa avaliação costuma ser periódica e, em muitos casos, obrigatória.
Instituições financeiras, empresas de capital aberto e organizações com faturamento acima de R$300 milhões ou ativos acima de R$240 milhões, por exemplo, precisam passar por auditorias externas conforme definido pela legislação brasileira.
A diligência prévia, por sua vez, é uma operação pontual e não é obrigatória – mas é altamente recomendada.
Ela é realizada, principalmente, em transações como fusões e aquisições de empresas ou ativos, e avalia não apenas as finanças, mas também aspectos jurídicos, operacionais, regulatórios e de reputação da organização envolvida.
Quais são os tipos de due diligence?
Como o processo de análise pode abranger diferentes áreas, a diligência prévia apresenta diversos modelos, cada um focado em aspectos específicos da empresa alvo.
A seguir, detalhamos os principais tipos. Confira as características de cada um.
Financeiro
O due diligence financeiro é a análise detalhada das finanças da empresa envolvida na transação.
O objetivo é ter uma visão clara da saúde financeira dessa organização e, dessa forma, evitar prejuízos. Para isso, são avaliados pontos como:
- Demonstrações financeiras;
- Existência de dívidas;
- Estrutura de capital;
- Fluxo de caixa;
- Balanços.
Além disso, o processo também pode considerar projeções futuras para garantir um panorama a longo prazo sobre os riscos financeiros.
Jurídico
A análise jurídica foca na avaliação de todos os aspectos legais relacionados à empresa alvo, como litígios em andamento, conformidade regulatória, direitos de propriedade intelectual, licenças e permissões necessárias para operar.
Essa investigação busca identificar potenciais riscos legais que possam afetar a transação ou a operação futura da empresa, gerando custos adicionais ou comprometendo a viabilidade do negócio.
Em um cenário no qual os riscos regulatórios são a principal preocupação das empresas, essa é uma avaliação indispensável.
Segundo dados da KPMG, 96% das organizações destacam os riscos regulatórios como principal fator de risco a ser gerenciado.
Trabalhista

O due diligence trabalhista é responsável por analisar as relações de trabalho dentro da empresa envolvida na negociação.
Esse processo é essencial para verificar a conformidade com as leis e regulamentos trabalhistas, evitando penalidades e danos à reputação da empresa.
Para isso, além de avaliar a conformidade com leis trabalhistas, é preciso investigar questões como:
- Contratos de trabalho;
- Possíveis litígios trabalhistas;
- Políticas de recursos humanos;
- Benefícios oferecidos aos funcionários.
Contábil e fiscal
Essa diligência envolve a revisão dos registros contábeis e das obrigações fiscais da empresa.
Isso inclui a análise de declarações de impostos, conformidade com as legislações tributárias vigentes, possíveis passivos fiscais e práticas contábeis adotadas pela organização.
Uma avaliação detalhada ajuda a identificar passivos fiscais ocultos, evitar surpresas financeiras e garantir a transparência das informações apresentadas durante a transação.
Ambiental
O due diligence ambiental avalia o impacto ambiental das operações da empresa, algo fundamental em setores como manufatura, energia e construção.
O processo considera fatores como conformidade com leis ambientais, licenças necessárias para o andamento da operação, gestão de resíduos, emissões e possíveis passivos ambientais
Com ele, é possível identificar riscos ambientais que podem resultar em multas, obrigações de remediação ou danos à reputação.
Due diligence de terceiros
A diligência prévia de terceiros é essencial para garantir que fornecedores, prestadores de serviço, distribuidores e outros parceiros comerciais atendam aos critérios de conformidade e segurança exigidos pela empresa.
No caso do due diligence de fornecedores, o processo se concentra na avaliação da estabilidade financeira, conformidade com normas trabalhistas e ambientais, compliance e gestão de riscos, além do histórico de atuação no mercado.
Esse monitoramento contínuo é parte fundamental para estruturar uma boa gestão de fornecedores.
Com ele, você pode antecipar possíveis problemas, como falhas na entrega, falta de qualidade nos produtos ou até mesmo envolvimento em práticas ilícitas.
Como se faz due diligence?
Com a transformação digital ganhando espaço e incluindo soluções tecnológicas ao processo de análise, a praticidade facilita a tomada de decisão.
No entanto, é importante sempre reforçar que ter um processo mais rápido não significa torná-lo menos estratégico.
A velocidade neste caso não pode estar relacionada à simplificação da diligência prévia do ponto de vista analítico.
Entenda a seguir quais são as etapas essenciais ao processo.
1. Definição de escopo e objetivos
O primeiro passo é definir quais áreas serão analisadas e quais riscos devem ser avaliados. Para isso, considere o tipo de operação e os impactos que um possível problema pode causar no negócio.
No caso da análise de fornecedores, por exemplo, aspectos como compliance, histórico de pagamentos e conformidade regulatória não podem ficar de fora da análise.
2. Coleta de informações
Com o escopo e os objetivos definidos, é hora de iniciar a coleta de documentos e informações.
A obtenção desses dados pode ser feita por meio de solicitação direta ao fornecedor ou parceiro, bem como através de bases públicas e até mesmo ferramentas especializadas em análise de risco.
Esses serão os pontos avaliados, por isso é essencial coletar dados estratégicos.
Nestas situações, é perigoso limitar-se a revisar a documentação e as informações fornecidas sobre a empresa-alvo, pois muitas vezes não coincidem exatamente com os dados necessários e realmente importantes.
O ideal, nesses casos, é enviar um checklist organizado e elaborado pelo próprio time interno, no qual o alvo possa fornecer a documentação e, ao mesmo tempo, tirar todas as dúvidas.
Dessa forma, é possível centralizar as informações em uma única plataforma, incluindo dados financeiros e de compliance.
3. Análise detalhada dos dados

Com todos os dados em mãos, a equipe responsável pelo due diligence empresarial deve avaliar detalhadamente os documentos para identificar riscos, inconsistências ou possíveis problemas que possam comprometer a operação.
Na análise financeira, por exemplo, é importante observar dívidas ocultas ou inconsistências contábeis que possam indicar instabilidade.
Já ao examinar contratos, é preciso atentar-se a cláusulas que possam impactar a empresa a longo prazo.
4. Avaliação de riscos e impactos
Após a análise das informações, a equipe deve mensurar os riscos e definir a relevância de cada um para a empresa.
Essa etapa exige um relatório detalhado para apresentar os pontos identificados, sua gravidade e possíveis impactos financeiros, operacionais e reputacionais.
É importante ter em mente que alguns riscos podem ser corrigidos ou mitigados com ajustes contratuais ou negociações específicas, mas outros podem representar um impeditivo para a continuidade da operação.
5. Relatório final e tomada de decisão
A última etapa consiste na elaboração de um relatório que apresente os insights da due diligence. Esse documento deve trazer um diagnóstico completo da análise, com recomendações relevantes para a tomada de decisão.
Caso sejam identificados problemas graves, é possível renegociar termos, adotar medidas corretivas ou até mesmo desistir da transação.
Se os riscos forem baixos e controláveis, a operação pode ser ajustada para minimizar impactos futuros e então seguir normalmente.
6. Use a tecnologia a seu favor
A transformação digital entra neste cenário para identificar formas de otimizar a due diligence através da tecnologia.
De acordo com pesquisa realizada pela consultoria PwC, 89% das organizações no Brasil dizem que acompanhar a velocidade de transformações digitais e de outras mudanças é um desafio importante de gerenciamento de riscos.
Neste contexto, softwares especializados ajudam na análise de dados, no monitoramento e gestão de fornecedores e na verificação automática de compliance.
Ferramentas de automação podem cruzar informações financeiras, jurídicas e reputacionais em tempo real, reduzindo falhas e otimizando a tomada de decisão.
As plataformas de gerenciamento de risco de fornecedores da CIAL, por exemplo, levam praticidade e inteligência para o processo de diligência prévia.
Isso porque, através da plataforma, é possível centralizar todas as informações que são realmente importantes para a tomada de decisão.
A partir da ferramenta, a coleta de dados é personalizada, o que favorece a experiência de quem responderá o formulário de solicitação de informações.
Com o retorno, o processo se torna muito mais simples por centralizar toda a diligência em um só lugar, o que torna também mais estratégica a análise final por parte do time interno.
As soluções de fornecedores da CIAL se mostram como um caminho estratégico para acelerar o processo de due diligence, melhorando a gestão e a comunicação entre as partes, ao mesmo tempo em que aprimoram a tomada de decisão e reduzem os riscos.
Conclusão
O due diligence é um processo essencial para mitigar riscos e garantir que decisões estratégicas sejam tomadas com base em informações confiáveis.
Sem uma análise detalhada, seu negócio fica suscetível a prejuízos financeiros, problemas jurídicos e impactos negativos na reputação.
Como vimos neste conteúdo, existem alguns passos importantes para estruturar uma diligência prévia realmente eficaz, como a definição clara de objetivos, coleta de dados relevantes e avaliação precisa dos riscos.
Além disso, o uso da tecnologia pode tornar o processo mais ágil e confiável, garantindo uma gestão mais estratégica e segura dos negócios.
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