Fórum de Compras e Sourcing 2026: o que muda em procurement

Durante anos, a área de compras foi avaliada por uma única régua: quanto conseguiu economizar na negociação. No Fórum de Compras e Sourcing 2026, organizado pela Inbrasc em São Paulo, essa régua foi questionada já no tema da edição, "Muito além do saving". A CIAL Dun & Bradstreet, parceira exclusiva da Dun & Bradstreet na América Latina, esteve no evento para prestigiar clientes que subiram ao palco, como BMW Group Brazil, Citrosuco e Votorantim Cimentos, e o parceiro Atlas Inovações, e para ouvir o que está na pauta de quem decide compras no Brasil.
O que é o Fórum de Compras e Sourcing
O Fórum de Compras e Sourcing é o evento anual da Inbrasc para profissionais de compras, suprimentos e procurement. A 23ª edição aconteceu nos dias 6 e 7 de outubro de 2026, no Transamérica Expo Center, em São Paulo. Segundo a organização, a expectativa era de mais de 8 mil profissionais e mais de 200 palestrantes, em oito palcos. A agenda foi dividida em três arenas: Procurement 360, Procurement Excellence e Procurement Ecosystem.
O que significa "muito além do saving"
A expressão resume uma mudança no papel de compras. Além do preço negociado, a área passa a responder também por risco, margem, continuidade da operação e competitividade. Na prática, um fornecedor com o menor preço que interrompe a entrega três meses depois custa mais do que a economia que gerou.
Por isso, a avaliação de fornecedores passa a considerar saúde financeira, conformidade, nível de dependência e exposição a choques externos desde a homologação, e não só no momento em que o problema aparece.
Os 4 temas que dominaram a agenda de procurement em 2026
- IA e agentes em compras. Como preparar os times, o uso de agentes no P2P (procure-to-pay) e no sourcing, e o novo papel do CPO.
- Gestão de fornecedores do reativo ao preditivo. SRM, homologação, monitoramento contínuo e vendor intelligence.
- Geopolítica, resiliência e risco em terceiros. Tarifas, redundância de fornecedores e infiltração do crime organizado na cadeia.
- Compras conectada a finanças. Margem, EBITDA, custo total de propriedade (TCO) e o efeito da Reforma Tributária na escolha de fornecedores.
O quarto tema é o mais urgente no calendário. Pela Lei Complementar 214/2025, 2026 é o ano de teste da CBS e do IBS. A transição muda a forma como os créditos tributários entram no custo de cada fornecedor, e um fornecedor que parecia mais barato pode deixar de ser. Detalhamos esse efeito no artigo sobre fornecedores e crédito tributário.
Compras conectada a finanças: margem, EBITDA e custo total
Sheila Tolfo, Purchasing & Supplier Quality Director da BMW Group Brazil (que é cliente da CIAL), participou de dois momentos do Fórum. Na abertura, esteve no painel "O novo jogo de procurement: o que está mudando e o que não pode mais ser ignorado?", ao lado de executivos da Mars e da Fronteiras Mineração. O painel discutiu as decisões que a área de compras não pode mais adiar.
Na palestra "Compras na estratégia da governança", Sheila mostrou por que, com inflação e pressão sobre as margens, compras precisa ligar suas decisões ao resultado financeiro da empresa. Ela partiu de experiências na América Latina e da integração entre Procurement, Vendas e Finanças na gestão de material margin, com foco em proteger a margem e ampliar a contribuição de compras para o EBITDA.
Victor Borba, Project Manager da Votorantim Cimentos, também cliente da CIAL, levou o mesmo raciocínio para projetos complexos na palestra "Como gerar valor além do saving". Nesses projetos, compras passa a influenciar as decisões que definem o resultado da contratação, avaliando custo total, riscos, prazos, escopo e condições comerciais ao longo de todo o ciclo.
As duas sessões chegam à mesma conclusão: o fornecedor certo é aquele cujo custo total e cujo risco cabem na margem que a empresa precisa proteger. Isso exige avaliar a saúde financeira e a capacidade de entrega do fornecedor antes da contratação, e não apenas a proposta comercial.
Geopolítica já faz parte da rotina de compras
Na sessão "Geopolítica para compradores: quais conflitos já estão mudando suas compras?", Pedro Durigon, Head of Procurement da Citrosuco e cliente da CIAL, mostrou como as decisões de compra ficam expostas a choques externos. A proposta foi trabalhar com um método voltado à decisão: identificar os sinais relevantes, medir o impacto sobre categorias e mercados e transformar incerteza em escolhas de sourcing.
Para o time de compras, isso significa mapear quais categorias dependem de insumos importados, de rotas logísticas específicas ou de poucos fornecedores, e acompanhar esses pontos antes que se transformem em ruptura de abastecimento. A classificação de fornecedores por criticidade é o ponto de partida desse mapeamento.
Gestão de terceiros: contratos como fonte de retorno financeiro
Rogério Cantarino, CEO da Atlas Inovações, parceira da CIAL, apresentou "O próximo nível da gestão de terceiros: inteligência de contratos para gerar ROI financeiro". O argumento central é que cruzar dados de terceiros, cláusulas contratuais, desempenho e oportunidades de negociação permite identificar desvios, priorizar ações e capturar valor ao longo de todo o ciclo do contrato.
Esse cruzamento depende de uma base confiável sobre quem é o fornecedor: situação cadastral, saúde financeira e estrutura societária. Se esses dados estiverem desatualizados, a análise de contrato e desempenho parte de uma premissa errada. É o princípio do KYS (Conheça Seu Fornecedor).
Gestão de fornecedores reativa vs. preditiva
Quando o risco é identificado
- Gestão reativa: depois do atraso, da ruptura ou da autuação.
- Gestão preditiva: quando surgem os primeiros sinais de deterioração.
Frequência de checagem
- Gestão reativa: na homologação e na renovação.
- Gestão preditiva: monitoramento contínuo.
Fontes de dados
- Gestão reativa: documentos enviados pelo fornecedor.
- Gestão preditiva: dados cadastrais, financeiros e de compliance de fontes independentes.
Papel de compras
- Gestão reativa: negociar preço e prazo.
- Gestão preditiva: antecipar risco e proteger margem.
Consequência típica
- Gestão reativa: troca emergencial de fornecedor, com custo maior.
- Gestão preditiva: plano de contingência acionado com antecedência.
A CIAL no Fórum de Compras: assista ao vídeo
Caroline Giraldi, Head Comercial da CIAL Dun & Bradstreet, percorreu o evento e conversou com Pedro Durigon e Rogério Cantarino sobre os temas de suas sessões.
Como a CIAL apoia a gestão de fornecedores preditiva
A CIAL Dun & Bradstreet trabalha com dados de empresas para apoiar decisões de crédito, compliance e compras. Para times de procurement, o CIAL360 Supplier reúne a homologação e o monitoramento de fornecedores em uma única plataforma, para que mudanças relevantes na situação de um fornecedor cheguem ao comprador antes da próxima renovação de contrato.
Se o seu time está revendo como avalia fornecedores, uma conversa com os especialistas da CIAL ajuda a identificar onde a sua base está mais exposta.
Perguntas frequentes
Quando e onde aconteceu o Fórum de Compras e Sourcing 2026?
A 23ª edição do Fórum de Compras e Sourcing aconteceu nos dias 6 e 7 de outubro de 2026, no Transamérica Expo Center, em São Paulo. O evento é organizado pela Inbrasc e, segundo a organização, tinha expectativa de público de mais de 8 mil profissionais de compras, com mais de 200 palestrantes em oito palcos.
Qual foi o tema do Fórum de Compras e Sourcing 2026?
O tema foi "Muito além do saving". A ideia é que compras passou a responder por risco, margem, resiliência da cadeia e competitividade, além da economia na negociação. A agenda se concentrou em IA aplicada a compras, gestão preditiva de fornecedores, geopolítica e a relação entre compras e finanças.
Como a área de compras contribui para o EBITDA?
Compras contribui para o EBITDA quando suas decisões levam em conta o custo total e a margem, e não só o preço negociado. Isso inclui integrar Procurement, Vendas e Finanças na gestão da margem de materiais, avaliar o risco e a capacidade de entrega dos fornecedores antes de contratar e acompanhar os contratos para evitar desvios. Um fornecedor mais barato que atrasa ou interrompe a entrega reduz a margem em vez de protegê-la.
O que é gestão de fornecedores preditiva?
Gestão de fornecedores preditiva é o acompanhamento contínuo da base de fornecedores para identificar sinais de risco antes que eles virem atraso, ruptura ou problema regulatório. Ela usa dados cadastrais, financeiros e de compliance de fontes independentes, em vez de depender só dos documentos entregues na homologação. O objetivo é dar tempo para o time de compras agir com um plano de contingência.
Como a geopolítica afeta as compras de empresas brasileiras?
Conflitos, tarifas e mudanças em rotas comerciais alteram o preço, o prazo e a disponibilidade de insumos, principalmente em categorias que dependem de importação ou de poucos fornecedores. Por isso, os times de compras passaram a mapear a exposição de cada categoria a choques externos e a manter fornecedores alternativos já homologados.
O que é inteligência de contratos na gestão de terceiros?
Inteligência de contratos é o cruzamento de cláusulas contratuais, dados dos fornecedores e indicadores de desempenho para encontrar desvios e oportunidades de renegociação. Com essa visão, compras consegue cobrar o que foi acordado, priorizar os contratos com mais risco ou mais potencial de economia e capturar valor durante todo o ciclo, e não só na assinatura.
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