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Publicado em
13/2/26 3:08 pm

Em 2026, crédito não será sobre crescer mais, será sobre errar menos

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Após um período marcado por juros elevados, liquidez mais restrita e sucessivos choques econômicos globais, o setor financeiro entra em 2026 diante de um desafio central: tomar decisões melhores em um ambiente estruturalmente mais incerto.

O relatório The Global Economy in 2026, da Dun & Bradstreet, mostra que o cenário econômico global segue longe de uma normalização completa. Mesmo com sinais de desaceleração da inflação e início de ciclos graduais de queda de juros em alguns mercados, a combinação de crescimento mais lento, custo de capital elevado e elevada incerteza econômica e política redefine a lógica da concessão de crédito.

Nesse contexto, instituições financeiras passam a priorizar:

  • qualidade de ativos,
  • gestão rigorosa de risco,
  • preservação de liquidez,
    em detrimento de estratégias focadas apenas em expansão de volume.

Para o mercado de crédito, 2026 consolida uma mudança clara: crescer não significa conceder mais crédito, mas conceder melhor, com apoio de dados confiáveis, monitoramento contínuo e capacidade de antecipar deterioração financeira.

O ambiente de negócios permanece marcado por cautela nos investimentos, intensificada pela proximidade das eleições gerais de outubro de 2026. No comércio exterior, o alívio tarifário concedido pelos Estados Unidos a determinados produtos agrícolas brasileiros contribui para uma perspectiva mais estável, mas não elimina os riscos. Nesse contexto, disciplina financeira, previsibilidade e gestão de risco tornam-se fatores críticos para a competitividade das empresas.  

O Setor Financeiros e Crédito em 2026

O relatório Global Outlook 2026 da Dun & Bradstreet indica que o setor de Serviços Financeiros entra em 2026 em um ambiente de crédito mais seletivo e maior rigor na avaliação de risco. Com juros permanecendo elevados e a liquidez global mais restrita, as instituições financeiras priorizam a preservação da qualidade de seus ativos.

O foco se concentra em:

  • liquidez,
  • inadimplência,
  • resiliência das carteiras em detrimento de estratégias baseadas apenas na expansão de volume.

O relatório destaca ainda que o crescimento do setor tende a ser impulsionado principalmente por ganhos de eficiência operacional, com uso crescente de dados, analytics e automação para aprimorar decisões de crédito, gestão de risco e relacionamento com clientes.

Quando a incerteza deixa de ser exceção e vira contexto

O ambiente mais seletivo para crédito em 2026 não é resultado de um único fator isolado, mas de um cenário global marcado por níveis elevados e persistentes de incerteza econômica e política.

O Global Economic Policy Uncertainty Index mostra que, mesmo após os choques mais agudos da pandemia, a incerteza global permanece significativamente acima dos níveis históricos, impulsionada por eventos como tensões geopolíticas, ajustes tarifários e mudanças frequentes de política econômica.

Para o setor de Serviços Financeiros, esse ambiente reforça a necessidade de decisões mais cautelosas, com maior rigor na avaliação de risco, foco em liquidez e uso intensivo de dados para antecipar movimentos adversos.

O que isso significa para Serviços Financeiros no Brasil?

Para instituições financeiras que operam no Brasil, o cenário global de 2026 reforça uma mensagem clara: a queda gradual dos juros não elimina os riscos do ambiente econômico.

A desaceleração do crescimento e o custo de capital ainda elevado ampliam a necessidade de:

  • critérios mais rigorosos na concessão de crédito,
  • monitoramento contínuo da saúde financeira das empresas,
  • e uso consistente de dados confiáveis para apoiar decisões de risco e relacionamento.

Em 2026, a capacidade de antecipar deterioração financeira, ajustar limites e agir com rapidez passa a ser um diferencial competitivo central para o setor.

Crédito não é só concessão, é inteligência de risco

Instituições financeiras que desejam crescer de forma sustentável precisarão ir além da análise tradicional. Decisões baseadas em dados atualizados, visão integrada de risco e monitoramento contínuo serão determinantes para preservar margens, reduzir inadimplência e fortalecer carteiras em um cenário mais seletivo.

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