Procurement na Era da IA: Lições do Fórum COMPRAR 2026

Procurement estratégico na era da IA: o que ficou do Fórum COMPRAR 2026
Toda área de Compras sabe listar seus fornecedores diretos. A conversa muda de tom quando a pergunta passa a ser quem fornece para esses fornecedores, e essa resposta quase nunca está no cadastro. No Fórum COMPRAR 2026, realizado em 1º de setembro no Centro de Convenções Frei Caneca, em São Paulo, essa lacuna apareceu em praticamente toda discussão sobre procurement estratégico e uso de IA. A CIAL Dun & Bradstreet participou como patrocinadora, com duas apresentações nas plenárias e atendimento no estande durante o dia inteiro.
O que é procurement estratégico
Procurement estratégico é o modelo em que a área de Compras participa da decisão de negócio com dado próprio, em vez de apenas executar demandas originadas em outras áreas. Na prática, significa responder três perguntas antes da assinatura do contrato: quem é o fornecedor, de quem ele depende e o que muda no risco dele ao longo da relação.
A diferença em relação ao procurement reativo está no momento em que a informação chega, que é antes da decisão, em vez de depois do problema.
Três ideias atravessaram os dois palcos do evento e as conversas no estande. Vale registrar cada uma com o que sustenta.
1. Visibilidade deixou de ser diferencial e passou a ser pré-requisito
Enxergar apenas a contraparte direta já não cobre o risco relevante. Segundo o Supply Chain Risk Pulse 2025, da McKinsey & Company, 95% dos líderes de suprimentos afirmam ter visibilidade sobre os riscos dos fornecedores de primeira camada, mas apenas 42% conseguem enxergar a segunda camada ou além. A confiança nos painéis é alta justamente onde o risco é menor.
Na palestra do auditório principal, Pedro Maciel, COO Brasil e Head de Produtos LatAm da CIAL, apresentou um mapeamento real de cadeia que ilustra a proporção do ponto cego. A leitura começou com 36 fornecedores diretos em 14 países, os que a empresa contrata, audita e conhece pelo nome. Ao reconstruir quem fornece para quem, a cadeia completa chegou a 2.121 empresas em 80 países, com 2.072 delas na quarta camada. A base analisada reuniu 56.859 embarques em 281 portos de 70 países.

Os dois achados mais relevantes estavam fora do Tier 1. Onze países da cadeia foram sinalizados como zona de conflito ou tensão, do Leste Europeu ao Golfo Pérsico, sem que nenhuma das empresas envolvidas fosse fornecedora direta. E um fornecedor de segunda camada, sem contrato com a empresa e ausente de qualquer cadastro interno, respondia por 100% de um insumo que chega ao fornecedor direto, operando em região com histórico de furacão e precipitação extrema classe 5. Sem visibilidade além da primeira camada, esse risco continua existindo e simplesmente não aparece no relatório.
No Brasil, a lacuna tem consequência regulatória. O Decreto 11.129/2022, que regulamenta a Lei 12.846/2013, lista a due diligence de terceiros entre os parâmetros de avaliação de um programa de integridade. A responsabilidade da empresa por atos de terceiros acompanha a relação enquanto ela existir.
2. IA entrega resultado quando o dado sustenta a decisão
A pergunta que dominou o painel da Arena deixou de ser qual ferramenta adotar e passou a ser com que base de dados essa ferramenta decide. É uma inversão importante para quem está avaliando piloto de IA em suprimentos. O painel foi comandado por Pedro Maciel e contou com a participação de Jorge Dabah (Head de Customer Success da CIAL), Sergio Quinsan (COOP) e Fernanda Amorim Canejo (Movecta). Os executivos trocaram experiências sobre o uso de agentes em compras e Jorge Dabah trouxe uma perspectiva internacional sobre como está o Brasil em comparação ao resto da América Latina quando falamos sobre o uso de ferramentas de inteligência artificial.

Ainda sobre IA, o diagnóstico apresentado no evento ajuda a entender por quê. Até pouco tempo, o limite de Compras era a escassez: faltava dado e faltava ferramenta, e uma consulta pontual resolvia o pouco que havia para consultar. Hoje o gargalo é o excesso descoordenado. Sobre o mesmo fornecedor coexistem a base de screening do compliance, o repositório de contratos do jurídico, o cadastro do ERP, a planilha de análise financeira e a consulta de regularidade fiscal. Cinco bases, cinco áreas com perguntas legítimas, nenhuma conversa entre elas e uma homologação de fornecedores que leva semanas.
O primeiro requisito para aplicar IA nesse cenário é anterior à tecnologia: as áreas precisam estar falando da mesma empresa, do mesmo registro, não do mesmo nome. É a função do número D-U-N-S, o identificador que amarra matriz, filial e coligada na mesma árvore corporativa, com cobertura em 43 países da América Latina e Caribe na rede Dun & Bradstreet.
O segundo requisito é de integração, e o recado do palco foi direto: ninguém precisa trocar de ERP nem de sistema de compras. O que passa a circular entre os sistemas que já rodam é cadastro padronizado, análise e trilha de decisão. Quando alguém pergunta seis meses depois por que aquele fornecedor foi aprovado, a resposta deixa de depender da memória de quem estava na reunião.
Só então a IA muda de patamar. O evento tratou de três estágios de maturidade que a maioria das operações ainda não percorreu: o descritivo, que relata o que já aconteceu; o interpretativo, que lê volume de documento, notícia e demonstrativo e devolve ao analista apenas o que exige julgamento; e o preditivo, que sinaliza deterioração financeira e exposição na cadeia antes do evento, com critério aplicado e justificativa rastreável. A maior parte das empresas opera no primeiro.
3. Antecipação vale mais que reação
Homologar bem e não acompanhar depois é o padrão que mais apareceu nas conversas do estande. Fornecedor aprovado muda de quadro societário, entra em lista restritiva, perde saúde financeira. Nos fluxos apresentados no evento, contratos de perfil crítico são reavaliados a cada três meses, e a base padrão a cada seis, com alerta de mudança acionando parecer humano apenas na exceção.
A reforma tributária dá o exemplo mais concreto de decisão que precisa ser antecipada. Com a CBS e o IBS, o crédito de quem compra depende do que acontece na etapa anterior da cadeia, o que significa que duas propostas com o mesmo preço deixam de ter o mesmo custo. Fornecedor no Simples Nacional gera crédito limitado ao que foi efetivamente recolhido no DAS, salvo opção pelo regime regular. Atividades sob Imposto Seletivo, que é monofásico, não geram crédito. A base normativa está na EC 132/2023 e na LC 214/2025, com cobrança cheia da CBS e do Imposto Seletivo a partir de 2027.
O efeito prático para Compras é uma mudança de critério de negociação: a comparação sai do preço e vai para o custo efetivo, fornecedor por fornecedor.

Cinco perguntas que Compras precisa responder com dado
São as perguntas que valem levar para a próxima reunião de área, porque cada uma delas tem resposta no cadastro ou expõe uma lacuna nele:
- Concentração. Quantos itens críticos dependem de um único fornecedor, e qual a saúde financeira desse fornecedor hoje.
- Segunda camada. Quais dos seus fornecedores diretos dependem de um mesmo subfornecedor, criando ponto único de falha invisível no seu cadastro.
- Elegibilidade contínua. Quantos fornecedores da base ativa mudaram de quadro societário, entraram em listas restritivas ou tiveram deterioração de crédito desde a homologação.
- Exposição geográfica. Quantos fornecedores operam em regiões com risco climático recorrente, tensão geopolítica ou exposição a organização criminosa, considerando que estar exposto ao ambiente é diferente de ter conduta irregular.
- Crédito tributário. Qual percentual da base ativa gera crédito de CBS e IBS, e quais fornecedores entram como custo em vez de crédito.

Como esses três pontos se resolvem no mesmo fluxo
Tratados separadamente, identidade de fornecedor, integração de sistemas e inteligência aplicada viram três projetos de TI e três anos de cronograma. Eles se sustentam na mesma base de dado, e foi isso que os cases apresentados no evento mostraram.
Em um dos fluxos, o registro nasce no sistema de compras que a empresa já usava e segue por um caminho único até a ativação, com enriquecimento cadastral, screening de compliance, análise financeira, identificação internacional via D-U-N-S e monitoramento contínuo rodando antes de qualquer parecer. Compliance, jurídico, financeiro, cadastro e qualidade decidem sobre o mesmo registro. Sem alerta, a aprovação é automática. Com alerta, o caso vai para análise humana. Restrição crítica reprova na hora. O ganho está na triagem: o que não tem alerta não ocupa ninguém.
É o desenho que o CIAL360 Supplier executa, com integração por API ao sistema de compras e ao ERP que já estão em operação. Se você quer ver esse fluxo aplicado à sua base, a página de gestão de fornecedores mostra o processo de ponta a ponta.
Perguntas frequentes
O que é procurement estratégico?
Procurement estratégico é o modelo em que Compras participa da decisão de negócio com dado próprio sobre fornecedores, em vez de apenas executar pedidos. Envolve responder quem é o fornecedor, de quem ele depende e como o risco dele evolui durante o contrato. Difere do procurement reativo porque a informação chega antes da decisão de compra.
O que foi discutido no Fórum COMPRAR 2026?
O COMPRAR Fórum & Expo 2026 aconteceu em 1º de setembro de 2026, em São Paulo, com dois palcos simultâneos e área de exposição. Três temas dominaram a programação: visibilidade de cadeia além da primeira camada, IA que sai do piloto e entra no processo, e compliance de terceiros tratado como responsabilidade de Compras. A CIAL Dun & Bradstreet participou como patrocinadora, com um painel sobre IA aplicada e uma palestra sobre procurement estratégico no auditório principal.
Por que visibilidade além do Tier 1 importa na gestão de fornecedores?
Porque o risco relevante costuma estar nas camadas que a empresa não contrata diretamente. Segundo o Supply Chain Risk Pulse 2025 da McKinsey & Company, 95% dos líderes de suprimentos dizem ter visibilidade sobre riscos de fornecedores diretos, mas apenas 42% enxergam a segunda camada ou além. Um subfornecedor sem contrato com a empresa pode ser ponto único de falha para um insumo crítico sem aparecer em nenhum cadastro interno.
Como a IA ajuda na gestão de fornecedores?
A IA atua em três frentes na gestão de fornecedores: leitura e extração de dados de documentos como contratos sociais, alvarás e certidões; triagem de notícias e mídia adversa com verificação de identidade, para separar homônimo de fornecedor real; e antecipação de risco, sinalizando deterioração financeira ou exposição na cadeia antes do evento. O resultado depende da qualidade do cadastro: sem identificação única do fornecedor, a IA processa dado inconsistente e devolve recomendação inconsistente.
Como a reforma tributária muda a escolha de fornecedores?
Com a CBS e o IBS, o crédito tributário de quem compra depende do recolhimento na etapa anterior da cadeia. Fornecedor no Simples Nacional gera crédito limitado ao efetivamente recolhido no DAS, salvo opção pelo regime regular, e atividades sob Imposto Seletivo não geram crédito por ser tributo monofásico. Isso faz duas propostas de mesmo preço terem custos efetivos diferentes. A base normativa está na EC 132/2023 e na LC 214/2025, com cobrança cheia da CBS e do Imposto Seletivo a partir de 2027.
Quem participou das apresentações da CIAL no evento?
As duas apresentações foram conduzidas por Pedro Maciel, Country Manager, COO Brasil e Head de Produtos LatAm da CIAL Dun & Bradstreet. O painel sobre IA e novas tecnologias em Compras contou também com Sergio Quinsan, CPO da COOP, Jorge Dabah, Head de Compras e Facilities da Movecta, e Fernanda Amorim Canejo, Head de Customer Success da CIAL. A programação completa está no artigo sobre o Fórum COMPRAR 2026.
O próximo passo
Se as cinco perguntas acima não têm resposta rápida na sua base hoje, o próximo passo é uma leitura da sua carteira de fornecedores em concentração, compliance, risco de crédito e crédito tributário. O time da CIAL faz esse diagnóstico com os dados reais da sua base. Fale com um especialista.
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