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Publicado em
18/5/26 2:43 pm

Panorama da Análise de Crédito B2B no Brasil: Empresas buscam equilíbrio entre risco, dados e agilidade

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Executivos analisando dados financeiros e crédito corporativo em reunião estratégica em escritório moderno.

O cenário econômico brasileiro transformou definitivamente a forma como as empresas analisam e concedem crédito. Em um ambiente marcado por juros elevados, volatilidade econômica, pressão sobre margens e aumento da inadimplência, a análise de crédito deixou de ser apenas uma operação financeira para se tornar uma decisão estratégica de negócio.

Foi justamente para entender como as empresas brasileiras estão lidando com esse novo contexto que a CIAL Dun & Bradstreet realizou a pesquisa inédita “Panorama da Análise de Crédito B2B no Brasil”, em parceria com a Financ.ia, a Hécate Consultoria e a W-CFO Brazil. O estudo aconteceu no final de 2025 e ouviu CFOs, gerentes financeiros, analistas de crédito e executivos de diferentes setores e portes em todo o país, trazendo um retrato profundo sobre maturidade, desafios, automação e tendências da gestão de crédito corporativo no Brasil.

O lançamento oficial da pesquisa aconteceu no dia 13 de maio de 2026, durante um almoço executivo realizado em São Paulo, que reuniu mais de60 executivos e líderes das áreas financeiras e de crédito de diversas empresas. O evento contou com um debate ao vivo sobre os principais insights do levantamento, com participação de Olavo Borges, sócio da Hécate Consultoria, Silvana Vieira, presidente da W-CFO Brazil, e Izabela Yumi, CFO da CIAL Dun& Bradstreet. A mediação foi conduzida por Marcelo Tavares, Head de Sales da CIAL.

E hoje, dia 18 de maio, esses mesmos especialistas também participam de um novo episódio do podcast CIAL Insights, aprofundando os principais dados e tendências revelados pela pesquisa e debatendo os caminhos do futuro da análise de crédito B2B no Brasil.

Crédito mais estratégico (e mais complexo)

Um dos principais achados da pesquisa é que as empresas já reconhecem a importância da governança de crédito, mas ainda enfrentam desafios para transformar políticas e processos em operações realmente integradas e inteligentes.

Embora 90,8% das empresas afirmem possuir uma política de crédito, apenas 38,5% consideram essa política bem estruturada e documentada.Outras 29,4% admitem ter processos organizados, porém pouco formalizados,enquanto cerca de 9% ainda operam sem política definida.

O dado revela uma maturidade crescente do mercado, mas também expõe uma realidade comum nas empresas brasileiras: políticas existem“no papel”, porém muitas vezes ainda dependem de decisões subjetivas,aprovações excepcionais e baixa integração entre áreas e sistemas.

Segundo Silvana Vieira, presidente da W-CFO Brazil, o desafio atual vai além da formalização:

“Ter uma política de crédito formalizada é o primeiro passo, mas só quando ela é alimentada por dados atualizados, integrada aos sistemas e revisada constantemente é que ela se torna estratégica.”

 

Falta de dados precisos ainda é o maior gargalo

A pesquisa mostra que o maior desafio enfrentado pelas empresas na análise de crédito B2B é a falta de informações precisas e atualizadas dos clientes, apontada por 39,4% dos respondentes.

Em seguida aparecem:

  • decisões  excepcionais fora da política formal (22,9%);
  • dificuldades de integração entre sistemas e ferramentas (16,5%);
  • problemas de conformidade e governança interna (13,8%).

 

Na prática, isso significa que muitas empresas ainda trabalham com dados fragmentados, processos manuais e baixa visibilidade do risco real da carteira.

Os impactos são diretos:

  • incerteza na definição de limites de crédito;
  • dificuldade na classificação de risco;
  • aumento da subjetividade;
  • atritos entre áreas;
  • perda de oportunidades comerciais por excesso de cautela.

 

Para Douglas Dantas, Head de Marketing da CIAL Dun &Bradstreet, os resultados reforçam um problema estrutural do mercado:

“Mesmo com processos de crédito maduros, ainda convivemos com lacunas significativas de informação e integração. Esses desafios nãoapenas retardam as decisões, mas aumentam a assimetria de risco entreempresas.”

Dados e inteligência já são protagonistas

Outro ponto relevante revelado pelo estudo é a crescente sofisticação das análises de crédito corporativo no Brasil.

Hoje:

  • 78% das empresas utilizam scores de crédito e recomendações de limite;
  • 77,1%  analisam dados restritivos como protestos e negativação;
  • 66,1% utilizam balanços patrimoniais;
  • 66,1%  analisam comportamento de pagamento interno.

 

Apesar disso, o estudo mostra que ainda há baixa utilização de indicadores complementares importantes, como:

  • listas de sanções;
  • alterações societárias;
  • riscos relacionados a empresas ligadas aos sócios;
  • indicadores de compliance e integridade.

 

Segundo Marcelo Tavares, Head de Sales da CIAL, o desafio não é apenas ter acesso aos dados, mas conseguir conectá-los:

“A qualidade da análise de crédito não depende apenas do volume de dados, mas da capacidade de conectá-los e interpretá-los em temporeal.”

 Agilidade virou diferencial competitivo

A velocidade na concessão de crédito também ganhou protagonismo no ambiente B2B.

De acordo com a pesquisa:

  • 48,6% das empresas aprovam crédito em até 24 horas;
  • 39,4% levam entre um e cinco dias;
  • apenas uma pequena parcela ultrapassa dez dias para aprovação.

O dado mostra uma evolução importante em relação aos processos tradicionais, historicamente marcados por análises manuais e trocas extensas de informações.

Ainda assim, a dependência da análise humana continua forte:

  • 50,5% das empresas afirmam operar com processos predominantemente humanos;
  • apenas 6,4% já possuem modelos totalmente automatizados.

Para Olavo Borges, especialista de crédito e sócio da Hécate Consultoria, o futuro será híbrido:

“A tecnologia trouxe velocidade e acesso a dados, mas a sensibilidade do analista ainda é indispensável. O desafio está em encontrar o equilíbrio entre a inteligência humana e a automação inteligente.”

 

Inadimplência segue como termômetro da saúde financeira

Os indicadores de inadimplência também revelam um mercado dividido entre maturidade e vulnerabilidade.

Segundo a pesquisa:

  • 28,4% das empresas possuem inadimplência entre 0% e 1%;
  • 25,7% registram índices entre 1% e 2%;
  • porém 16,5% ainda enfrentam inadimplência acima de 4%.

Já em relação ao write-off (perdas efetivas):

  • 52,3% das empresas mantêm perdas abaixo de 1%;
  • enquanto quase 25% ainda registram perdas acima de 2%.

Os números reforçam que a eficiência da gestão de crédito depende não apenas da concessão inicial, mas da capacidade contínua de monitoramento e reação rápida aos sinais de deterioração financeira dos clientes.

 O futuro do crédito será orientado por dados, automação e IA

A pesquisa aponta que a próxima evolução da análise de crédito B2B será fortemente impulsionada por:

  • integração de sistemas;
  • monitoramento em tempo real;
  • inteligência artificial;
  • automação de decisões;
  • painéis unificados de risco e exposição;
  • alinhamento entre áreas comerciais e financeiras.

Mais do que acelerar processos, as empresas buscam decisões mais inteligentes, preditivas e coerentes com o perfil de risco dos clientes.

 Um mercado em transformação

Os resultados da pesquisa mostram que o mercado brasileiro de crédito B2B vive um momento de transição importante.

As empresas já compreenderam que dados, integração e inteligência são fundamentais para crescer com segurança. Ao mesmo tempo, o fator humano continua sendo peça central na tomada de decisão.

O futuro da análise de crédito será cada vez mais híbrido:combinando tecnologia, automação, inteligência artificial e experiência humana para transformar o crédito em uma ferramenta estratégica de crescimento sustentável.

A pesquisa completa “Panorama da Análise de Crédito B2B no Brasil 2025” foi desenvolvida pela CIAL Dun & Bradstreet com apoio da Financ.ia, Hécate Consultoria e W-CFO Brazil.  

Confira a pesquisa completa: Panorama da Análise de Crédito B2B no Brasil

Assista ao podcast: CIAL Insights #8 | LP

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